Opinião – Fios de internet: até quando essa bagunça vai continuar?

Não é só questão de estética. É segurança pública. Esperar a próxima tragédia para agir é irresponsabilidade. As cidades precisam assumir o controle agora.

Foto: reprodução / ilustração

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Quem anda pelas ruas de qualquer cidade brasileira já se acostumou a ver um emaranhado de fios pendurados nos postes. Parece paisagem urbana, mas na verdade é um risco silencioso. Não é exagero: esses cabos já causaram acidentes graves, quedas de postes, incêndios e até mortes. Mesmo assim, nada muda.

Na minha visão, está faltando atitude das prefeituras. Elas precisam criar leis locais, organizar essa bagunça e punir as operadoras que fazem instalação de qualquer jeito e abandonam fios sem responsabilidade.

Hoje qualquer empresa de internet chega, passa seus cabos e vai embora. Se trocar o equipamento, deixa os fios antigos pendurados. Outro provedor passa mais fios por cima, e assim vai virando uma teia. Não existe controle. Cada poste vira uma gambiarra oficializada. Se a prefeitura não impuser ordem, ninguém vai se preocupar em manter isso organizado.

Não é só poluição visual. Esses fios arrebentam, caem no chão, enroscam em ciclistas, motociclistas e pedestres. Tem casos de pessoas que morreram porque pensaram que o fio era de internet, mas era elétrico. Postes caem, carros são danificados, incêndios começam por curto-circuito. Ou seja: é uma questão de segurança pública, e não apenas estética.

As empresas sabem do problema. Elas têm tecnologia para organizar os cabos, usar dutos subterrâneos ou dividir o espaço corretamente nos postes. Só que não fazem porque é mais barato continuar do jeito que está. E como ninguém fiscaliza, fica tudo por isso mesmo. Ou seja: sem multa, sem lei e sem punição, nada vai mudar.

Alguns dizem que a culpa é das concessionárias de energia, que são donas dos postes. Outros culpam a Anatel. Mas a verdade é: quem vive o problema é o município. A prefeitura é quem sabe onde acontecem os acidentes e quem tem o poder de legislar sobre o uso do espaço urbano. Ficar esperando Brasília resolver é empurrar o problema com a barriga.

Se as prefeituras criarem leis claras — exigindo cadastro de cabos, padronização da altura, retirada de fios mortos e multa para quem descumprir — em pouco tempo nossas cidades ficariam mais seguras e mais bonitas.
O que não dá é para esperar a próxima tragédia para só então dizer que “algo precisa ser feito”.
Precisa ser feito AGORA. E começa por quem governa a cidade.

Texto: Eduardo de Carvalho

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